Telê Santana foi um dos mais importantes técnicos e jogadores da história do futebol brasileiro. Como jogador, brilhou pelo Fluminense e, como técnico, marcou época.

Infelizmente, no dia 21 de abril de 2006, aos 74 anos, Telê Santana da Silva faleceu, mas deixou um legado para o futebol brasileiro. Natural de Itabirito, Minas Gerais, mas torcedor confesso do Fluminense, começou sua carreira como jogador profissional em 1951 no time do coração, onde permaneceu por quase dez anos.

Por possuir um corpo franzino, tinha muitos apelidos pejorativos. O jornalista Mário Filho, então criou a competição “dê um slogan para Telê Santana e ganhe 5 mil cruzeiros”. Assim, o jogador foi carinhosamente apelidado de “O Fio da Esperança”.

Saiu do Fluminense para o Guarani, ficou lá por pouco tempo e se transferiu para o Madureira. Depois, foi para o Vasco da Gama, em 1962, onde encerrou sua carreira como atleta. 6 anos após se aposentar, começou a carreira de técnico.

Apesar de ter sido um excelente jogador e ter conquistado vários títulos (campeão carioca em 51 e 59 e campeão do Rio-São Paulo em 57 e 60), ele ganhou realmente destaque trabalhando como treinador. A sua primeira importante conquista comandando um time foi o Brasileiro de 1971 pelo Atlético Mineiro.

A partir daí Telê, foi sendo cada vez mais respeitado como um treinador de ponta do futebol brasileiro. Outra conquista importante dele nos anos 70 foi o campeonato gaúcho com o Grêmio (em 77). Na época, o Tricolor Gaúcho sofria com o forte Internacional (bicampeão brasileiro 1975/76), que tinha Falcão, Carpegiani, Valdomiro, Lula, Dario, Manga, Figueroa e companhia.

Antes de chegar à Seleção Brasileira, Telê realizou um excelente trabalho no Palmeiras em 1979. Na época, o time de Palestra Itália fez uma ótima campanha no Paulistão, mas acabou sendo prejudicado com a paralisação da competição, o que acabou favorecendo o também forte Corinthians. Treinou a equipe 1980, quando foi convidado a comandar a seleção brasileira.

Como treinador da Seleção na Copa do Mundo de 1982, implantou uma forma de jogo que encantou tanto os torcedores brasileiros como os do resto do mundo, com um futebol bonito e envolvente, aclamado como o melhor da época. Integrou jogadores técnicos como Zico, Sócrates e Falcão, entre outros.

Apesar de grande performance, foi derrotado pela Itália. Após a Seleção, foi contratado, em 1983, por altos valores, pelo Al-Ahli, da Arábia Saudita Em novembro de 1984, confirmou que foi convidado pela CBF para retornar à Seleção, porém o Al-Ahli não o liberou.

Ainda sob vínculo com o Al-Ahli, substituiu Evaristo de Macedo no comando da Seleção, em 23 de maio de 1985, mas apenas para os jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1986. Ele rescindiu o contrato com o clube saudita em dezembro daquele ano.

No final de 89, ele voltou a dirigir o Palmeiras, que o demitiu após o fracasso no Paulistão de 90. No mesmo ano, o Mestre Telê assumiu o São Paulo no lugar do uruguaio Pablo Justo Forlan. A missão não era das mais fáceis, já que o Tricolor do Morumbi tinha feito uma campanha pífia no estadual, com Raí (um dos seus principais jogadores) no banco de reservas.

Em 1991, com o time entrosado, tendo Raí como o líder da equipe em campo, os jogadores ganharam confiança, evoluíram e conquistaram o Campeonato Brasileiro.

Foi campeão continental pela primeira vez na Copa Libertadores da América de 1992 ao vencer o time argentino Newell’s Old Boys, na disputa de pênaltis realizada no Estádio do Morumbi. Em dezembro, venceu o Palmeiras no primeiro jogo da final do Campeonato Paulista, viajou para o Japão, onde conquistou o título mundial de clubes de 1992, ao vencer o time do Barcelona de virada por 2 a 1.

Voltou para o Brasil e venceu também o segundo jogo da final do Paulistão, conquistando o bicampeonato consecutivo do Campeonato Paulista. Antes de acabar o ano de 1992, Telê foi premiado como o “Melhor técnico da América do Sul de 1992”.

O ano de 1993 foi o mais glorioso para para o técnico que permaneceu no tricolor paulista. Ganhou quatro títulos internacionais oficiais, todos eles no mesmo ano e, assim, acabou conquistando uma quádrupla coroa internacional (sendo até hoje o único técnico do mundo a atingir tal feito).

Em janeiro de 1996, após sofrer uma isquemia cerebral, teve que abandonar o futebol e viu a sua saúde debilitar-se bastante, com problemas na fala e na locomoção, entre outros.

Em 2003, ele foi submetido à cirurgia para amputação de parte da perna esquerda. Três anos depois, voltou a ter complicações na sua saúde. Telê, segundo boletim médico, apresentava infecção abdominal no intestino grosso e precisou ser internado, pois seu estado era estado grave. Passou algumas semanas no hospital e morreu no dia 21 de abril de 2006.

Após sua morte, recebeu diversas homenagens, entre as quais os nomes do Troféu Telê Santana, de Minas Gerais, do Estádio Mestre Telê Santana da Silva, em Duque de Caxias e o Hotel Concentração Telê Santana, no Centro de Treinamento Vale das Laranjeiras, do Fluminense.

Telê deixou um legado enorme para o futebol brasileiro e foi com certeza um dos melhores técnicos brasileiros.

Para você, qual foi a conquista mais importante do técnico? Conta pra gente