Depois de 17 anos vestindo a camisa celeste, o goleiro foi parar no maior rival do seu ex-clube.

A contratação de Rafael não foi algo inesperado. Depois que o goleiro buscou a justiça para rescindir seu vínculo com o Cruzeiro e o Atlético vendeu o jovem Cleiton ao RB Bragantino, o Galo viu no goleiro um bom nome para assumir o lugar Victor (que já tem uma idade avançada) e fez algumas sondagens.

Com os gravíssimos problemas financeiros que enfrenta, o Cruzeiro não tinha muitas opções a não ser tentar um acordo para negociar o pagamento dos salários atrasados de Rafael. Sabendo do interesse do rival, o Cruzeiro até tentou dificultar a liberação do atleta, mas a queda para a Série B e as imensas dívidas deixaram o clube sem muito o que fazer.

A rescisão foi publicada no BID dia 20 de fevereiro e ontem, 12 dias depois, o presidente do Atlético-MG anunciou a contratação de Rafael por três temporadas.

Com a transação, Rafael foi o 11º jogador da história a se transferir diretamente do Cruzeiro para o Atlético-MG:

  • Mussula (1958)
  • Procopio (1962)
  • Nelinho (1982)
  • Paulo Roberto (1996)
  • Valdir Toddynho (1999)
  • Marcelo Djian (2002)
  • Alessandro (2003)
  • Alessandro Nunes (2009)
  • Fernandinho (2010)
  • Leonardo Silva (2011)
  • Rafael (2020)

Como era de se esperar, a torcida celeste não gostou nem um pouco da notícia e criticou bastante o goleiro. Só o fato de se transferir para o maior rival do Cruzeiro já seria suficiente para desagradar os torcedores, mas o caso de Rafael é bastante peculiar.

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O goleiro foi formado nas divisões de base do Cruzeiro, já que chegou ao clube com 13 anos de idade. Fez parte do fantástico time sub-20 que conquistou o único título da Copa São Paulo de futebol júnior da história da Raposa e ganhou também o Brasileiro da categoria (ambos os títulos em 2007).

Com a queda para a Série B, muitos atletas deixaram o clube, mas Rafael era um dos que havia sinalizado a permanência, tanto que o processo judicial para rescisão de contrato pegou todos de surpresa (inclusive a própria diretoria do clube).

Com 17 anos de história, Rafael sempre atuou em alto nível. Mesmo sendo reserva desde que foi promovido ao profissional, não decepcionou quando precisou defender as traves celestes e, por isso, sempre foi visto como o sucessor natural de Fábio.

Nesse contexto de rebaixamento, endividamento e crise política no Cruzeiro, a saída de Rafael, um jogador com uma história invejável, foi vista como um grande ato de ingratidão por parte do jogador, já que deixou o clube em um momento bastante crítico. Agora, aquele que por 12 anos foi visto como o substituto do goleiro mais importante da história do Cruzeiro, substituirá (São) Victor, o maior arqueiro do arqui-rival celeste.

O futebol é uma caixinha de surpresas e isso não vale só para o que acontece dentro de campo.