Relembre outros casos de preconceito racial entre atletas do esporte mais popular do mundo

Neymar alegou ter sido chamado de macaco idiota pelo zagueiro Álvaro González no último jogo entre PSG e Olympique de Marselha, pelo campeonato francês. O clube da capital francesa se posicionou a favor do jogador brasileiro e disse que esperaria uma apuração do caso por parte da liga, Entretanto, o presidente da federação francesa, quando questionado sobre o caso, emitiu uma opinião no mínimo revoltante, para não dizer algo pior, sobre o caso:

“Em um jogo, pode haver problemas. Mas temos menos de 1% de dificuldade hoje. Quando um negro marca um gol, todo o estádio aplaude. O fenômeno do racismo no esporte, e no futebol em particular, não existe ou quase não existe”.

Noël Le Graët, presidente da Federação Francesa de Futebol

Infelizmente, situações como essa são muito comuns no futebol e nem sempre os agressores são punidos. Posturas como a de Le Graet, inclusive, são um indicativo de que o sistema que subjuga negros possui engrenagens muito bem conectadas e que as práticas racistas dentro de campo são apenas a ponta do iceberg de um problema muito maior.

Entretanto, nem sempre o cenário de impunidade é regra e hoje relembramos alguns casos em que os criminosos racistas sofreram as consequências de seus atos.

Grêmio x Santos

Em uma partida válida pela Copa do Brasil, o goleiro Aranha, que então defendia o Santos, avisou o árbitro que a torcida da casa estava proferindo insultos racistas contra ele.

E o goleiro não estava mentindo: as câmeras que faziam a transmissão do jogo filmaram torcedores chamando o goleiro de “macaco”. Entre os criminosos, uma torcedora ficou marcada porque uma das câmeras estava fechada nela quando ofendia o arqueiro do Santos. Patrícia Moreira não foi a única, mas teve seu rosto exibido incontáveis vezes como o retrato de um comportamento cruel e desumano da torcida do Grêmio.

Torcedora do Grêmio flagrada insultando racialmente Aranha

Após a injúria racial, ela e outros três torcedores criminosos poderiam pegar de um a três anos de prisão, mas aceitaram uma pena alternativa de se apresentarem às autoridades uma hora antes de cada jogo do tricolor gaúcho como forma de garantir que não iriam ao estádio.

São Paulo x Quilmes

Em abril de 2005, o São Paulo recebeu o Quilmes em partida válida pela Copa Libertadores. O argentino Leandro Desábato, zagueiro do clube visitante, ofendeu Grafite com insultos racistas. O atacante tricolor foi expulso de campo por revidar com um empurrão, mas o jogador argentino recebeu voz de prisão ainda em campo e permaneceu detido no Brasil por dois dias.

Racismo e prisão em campo. Caso Grafite e Desábato completa 10 anos

Pelotas x Brasil de Pelotas

Durante um clássico Bra-Pel que aconteceu no dia primeiro de agosto desse ano, válido pelo campeonato Gaúcho, o Pelotas tocou no sistema de som do estádio Boca de Lobo uma música que se referia ao rival como ‘macaco’.

O clube alegou que havia contratado uma empresa terceirizada para reproduzir músicas durante a partida. Em sua defesa, disse que a intenção era incentivar os atletas em campo (já que não havia torcida por causa da pandemia) e que não teve condições de revisar o conteúdo porque a crise econômica levou à redução do quadro de colaboradores.

Resultado: multa de R$5 mil para o clube.

Juventude x Internacional

tinga em campo pelo internacional de porto alegre

No dia 22/10/2005, Juventude e Inter se enfrentaram pelo Brasileirão. Tinga, que à época vestia o uniforme colorado, ouviu barulhos de macaco em muitas das vezes que tocou na bola. O árbitro se atentou ao caso e relatou o ocorrido na súmula. Como punição, o STJD determinou que o time da Serra fosse multado em R$200 mil e retirou do clube o mando de campo em duas partidas.

América-MG x Oeste

Messias, zagueiro do América-MG, procurou a polícia para denunciar injúria racial em jogo contra Oeste

Em duelo no Independência válido pela série B do Brasileirão, Messias (zagueiro do Coelho mineiro) acusou o goleiro adversário, Rodolfo, de tê-lo chamado de “macaco”.

Ao fim da partida, Rodolfo foi preso em flagrante pelo crime de injúria e foi liberado após o clube pagar sua fiança. O caso foi levado ao STJD e o arqueiro foi punido pela injúria disparada no gramado: cinco jogos de suspensão e multa de R$5 mil.

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