1º jogo da final da Taça Brasil de 1966: Cruzeiro 6×2 Santos

O Mineirão tinha apenas um ano de vida quando recebeu a final da Taça Brasil de 1966, entre Cruzeiro e Santos. O time paulista, bicampeão do mundo, contava com nada mais nada menos que Pelé e não havia dúvidas de que era o franco favorito para levar o título. O Cruzeiro, por sua vez, tinha um time jovem, que havia conquistado o campeonato mineiro e tinha em seu plantel um fenômeno ainda não tão conhecido: Tostão.

As equipes entraram em campo assim:

  • Cruzeiro EC: Raul Plasmann; Pedro Paulo, Willian, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira.
  • Santos FC: Gilmar; Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos, Oberdan e Zé Carlos; Zito e Lima; Dorval, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

1º Tempo

Logo no primeiro minuto de jogo, a equipe mineira abriu o placar com um gol contra de Zé Carlos. Tostão recebeu a bola e partiu para o um contra um. Na tentativa de tirar a bola de campo, o defensor do Peixe acabou mandando contra a própria meta.

O time do Santos estava com uma postura bastante diferente do usual. Não se via aquele time que atacava o tempo todo e mal deixava o adversário respirar. Muito pelo contrário: o time do Cruzeiro conseguia desenvolver bem as suas jogadas sem muitas preocupações. Aos cinco minutos, a vantagem ficou maior: Evaldo passou a bola para Dirceu Lopes que chegou soltou uma bomba cruzada sem chances de defesa.

O então desconhecido Cruzeiro começava a fazer história e nem mesmo os próprios jogadores acreditavam no que estava acontecendo.

Ainda na primeira etapa, o Cruzeiro anotou mais três tentos. Dois com Dirceu Lopes, aos 20′ e aos 39′ (um de fora e um de dentro da área) e mais um com Tostão de pênalti. O desconhecido Cruzeiro, de renome estadual, ia fazendo história ao aplicar uma goleada incontestável no melhor time do mundo.

“Parecia que era irreal, um sonho. ‘Não, isso não é verdadeiro, nós estamos sonhando. Isso é realidade?'”

Dirceu Lopes sobre seus pensamentos ao final do primeiro tempo.

2º Tempo

Na volta, o Santos tentou correr atrás do prejuízo. Voltou melhor, acertou a trave celeste e pressionou até conseguir seu primeiro gol com Toninho Guerreiro, aos 6′ (e foi um belo chute no ângulo, por sinal). No que parecia ser um apagão da defesa do Cruzeiro, o mesmo Toninho recebeu cruzamento rasteiro na entrada da pequena área e escorou para diminuir a vantagem para 5×2.

Aos 27′ da etapa complementar, Dirceu Lopes fechou a conta e anotou seu terceiro no jogo. Depois de uma dividida na área, o goleiro santista ficou no chão e a bola sobrou para Lopes, que empurrou para o gol vazio.

O Santos, já abatido pela placar elástico, ainda perdeu seu melhor jogador. O Rei Pelé, em uma dividida com Piazza, tentou uma entrada maldosa na canela do jovem meia cruzeirense, que não foi atingido porque se esquivou do lance. Em seguida, Procópio ficou irritado com a falta de lealdade de Pelé e depois de uma discussão, o árbitro mandou ambos para o chuveiro mais cedo.

Ainda tinha a segunda partida para ser disputada em São Paulo e o Santos tinha elenco e qualidade para buscar o resultado. No próximo texto, falaremos sobre como foi a partida de volta!

Cadastre-se grátis no SPM365