A Seleção Canarinho levantou o seu primeiro troféu de campeã da Copa do Mundo em 1958, no mundial realizado na Suécia.

Os maiores candidatos ao título eram a Alemanha Ocidental (campeã em 54 em cima da Hungria), a Suécia, que tinha o apoio da torcida para embalar um time experiente, e a União Soviética, que havia vencido as Olimpíadas dois anos antes. A nossa seleção sequer estava entre as favoritas porque, depois de perder, em pleno Maracanã, a final da Copa de 50 para o Uruguai e sair para a Hungria nas quartas de final em 54, não tínhamos grandes expectativas para 58.

Fase de grupos

Brasil 3×0 Áustria

Um público de quase 18 mil pessoas foi assistir à estreia da seleção canarinho em terras suecas. Sem muitas dificuldades, passamos pela fraca seleção da Áustria com um gol de Mazzola aos 38′ da primeira etapa, um de Nilton Santos, aos 4′ do 2º tempo, e mais um de Mazzola aos 44′ da etapa complementar.

Brasil 0x0 Inglaterra

A Inglaterra, apesar de enfraquecida pela perda de três dos seus principais jogadores em um desastre em Munique, ainda era uma equipe que valia a pena assistir. Quase 41 mil pessoas foram ao estádio
Nya Ullevi para prestigiar o confronto entre as duas seleções, mas não teve bola na rede para alegrar os presentes.

Com o resultado, o Brasil estava na liderança do grupo com três pontos (dois pela vitória e um pelo empate). A União Soviética tinha os mesmos três pontos, já que tinha empatado com a Inglaterra em 2×2 e depois bateu a Áustria por 2×0.

A decisão das vagas para as quartas ficaria, então, para a 3ª rodada.

Brasil 2×0 União Soviética

Contra uma das favoritíssimas ao título e diante de um dos maiores públicos de todo o torneio – mais de 50 mil pessoas – o Brasil não titubeou. Vavá foi o nome do jogo e seus dois tentos, um aos 3′ e outro aos 77′, garantiram nossos guerreiros na 1ª posição do grupo 4.

Nessa partida, o mundo assistiu à primeira partida, em mundiais, de um garoto de apenas 17 anos que viria a ser o maior jogador de todos os tempos: Pelé. Nosso rei, apesar de não marcado gol, teve uma atuação excepcional.

O resultado ajudou a Inglaterra, que antes tinha dois pontos e foi a três com o empate no jogo contra a Áustria – se igualando à União Soviética. Na época, o desempate era diferente do que é hoje e as seleções fizeram um quarto jogo para definir o segundo classificado do grupo. Mas os ingleses foram derrotados pelo placar mínimo e os soviéticos avançaram.

Quartas

Brasil 1×0 País de Gales

Na sua segunda partida vestindo a Amarelinha, Pelé mostrou sua habilidade e foi decisivo. Ajeitou a bola no peito depois de um passe de cabeça e, sem deixá-la cair, deu um drible curto sobre seu marcador. Um outro defensor galês tentou impedir o chute, mas Pelé foi mais rápido e acertou o canto direito do goleiro Kelsey. Com esse gol, o Brasil se garantiu nas semi finais.

Semi

Brasil 5×2 França

Logo aos 2′, Vavá colocou o Brasil em vantagem, Recebeu passe pelo alto de Didi, matou no peito e encheu o pé para estudar as redes. A goleadora França não deixou barato e respondeu aos 9′ com seu artilheiro Just Fontaine: recebeu bola enfiada de Kopa depois de passar nas costas de Bellini, driblou o goleiro e fez. Esse, inclusive, foi o 13º gol dele no torneio; até hoje, Fontaine é o maior marcador de uma mesma edição de Copa do Mundo.

Zagallo aos 14′ acertou um belo chute no travessão, a bola quicou após a linha da meta francesa mas a arbitragem não validou o gol.

Aos 39′, Didi mexeu no placar. Acertou um pombo sem asa no ângulo esquerdo de Abbes e colocou o Brasil na frente. A essa altura, o Brasil estava com muito mais volume de jogo e já havia criado 9 oportunidades de gol, mas pecava na finalização.

Na volta do intervalo, o Brasil não tirou o pé do acelerador e foi com tudo para cima dos franceses, que tinham só dez jogadores em condição de jogo – Jonquet havia se lesionado mas a regra da época não permitia substituição de jogadores contundidos.

Aos 52′, Pelé marcou o terceiro do Brasil e seu primeiro no jogo. Aproveitou a falha de Abbes depois de um cruzamento e escorou para o gol vazio. Aos 64′, o rei recebeu passe de Garrincha e passou para Vavá, que foi travado. Na sobra, o próprio Pelé finalizou. 4×1.

O quinto gol viria numa jogada parecida. Garrincha infiltrou pela direita depois de driblar a marcação e buscou Pelé na entrada da grade área. Ele dominou no peito e chutou de primeira no canto direito.

A França até que lutou, mas com um homem a menos, o gol de Piantoni aos 83′ não significava muito. A máquina francesa não tinha o poder de fogo dos jogos anteriores e o Brasil chegava à final com a moral lá em cima.

Final

Brasil 5×2 Suécia

Ambas as seleções tinham a blusa amarela como uniforme principal, então foi realizado um sorteio. A Suécia venceu e entraria em campo com sua tradicional blusa amarela; enquanto isso, o chefe da delegação brasileiro, Paulo Machado de Carvalho, comprou camisas azuis na véspera da partida e pediu que o escudo da CDB (antecessora da CBF) e os números fossem bordados em amarelo.

O começo não foi dos melhores. Com Liedholm, a Suécia abriu o placar aos 4′, mas a equipe não se deixou abalar. Didi, o príncipe etíope, buscou a bola no fundo das redes e caminhou com ela debaixo dos braços até o centro do campo num gesto firme de liderança.

A resposta veio rápido com Vavá aos 9′ e a virada aconteceu aos 32′. No segundo tempo, Pelé aumentou par 3×1 com um gol que entrou para a história: depois de chapelar um marcador e se esquivar de uma solada na coxa, o Rei bateu de primeira e não deu chances a Kalle Svensson.

Zagallo, meia esquerda, também anotou o seu aos 23′ e Pelé foi o responsável por marcar o quinto tento aos 45′, dez minutos depois que a Suécia havia descontado com Simonsson.

O Brasil se sagrou campeão ao bater a Suécia por 5×2 em um estádio com praticamente 50 mil pessoas e ali começava o reinado de Edson Arantes do Nascimento, o maior jogador de todos os tempos.