Na 11ª edição do torneio, disputada na Argentina, os donos da casa foram campeões sob fortes suspeitas de favorecimento.

Formato

Assim como na Copa de 74, os 16 países participantes passariam por duas fases de grupos até chegar à grande final, que definiria o campeão. 

Primeira Fase

As seleções foram alocadas em 4 grupos, com 4 integrantes cada, que se enfrentaram em turno único. A divisão ficou assim:

  • Grupo 1: Itália, Argentina, França e Hungria
  • Grupo 2: Polônia, Alemanha Ocidental, Tunísia e México
  • Grupo 3: Áustria, Brasil, Espanha e Suécia
  • Grupo 4: Peru, Holanda, Escócia e Irã

Depois do fracasso em 74, as esperanças do tetra foram renovadas e a Seleção Canarinho foi até a Argentina com a intenção de trazer mais um título para casa. Entretanto, o começo difícil já mostrava que essa tarefa não seria nada fácil.

Na primeira fase, o Brasil não se destacou no seu grupo e passou em segundo lugar. Na estreia, um empate por 1×1 diante da fraca seleção da Suécia. Na segunda partida, outro empate, desta vez sem gols, contra a Espanha.

Com apenas dois pontos (Espanha e Suécia tinham um ponto cada), o Brasil precisava vencer a Áustria, líder do grupo para se garantir na próxima fase sem depender do resultado do outro confronto. E dos pés de Dinamite, aos 40’, saiu o gol da vitória que manteve viva a nossa esperança.

Segunda Fase

Na segunda fase, as 8 seleções classificadas foram novamente divididas em dois grupos:

  • Grupo A: Holanda, Itália, Alemanha Ocidental e Áustria
  • Grupo B: Argentina, Brasil, Polônia e Peru

Aqui, uma vitória empolgante da Seleção Canarinho mostrou que tínhamos chances de chegar à final. Enfrentando o Peru (líder do Grupo 4 na fase anterior), aplicamos um incontestável 3×0 que nos rendeu a liderança momentânea do grupo.

No segundo jogo, o maior clássico das Américas: Brasil x Argentina. Infelizmente, não foi dessa vez que tivemos o prazer de derrotar os argentinos em sua própria casa. Um empate sem gols deixou a decisão para a última rodada, já que a Argentina também havia vencido seu primeiro confronto da segunda fase.

Na rodada derradeira, tanto nós, quanto os hermanos, éramos favoritos para vencer seus respectivos adversários (nós enfrentaríamos a Polônia, enquanto eles jogariam contra o Peru). Com três pontos cada – dois pela vitória e um pelo empate – caso Brasil e Argentina vencessem, a liderança do grupo (e a vaga na final) seria decidida no saldo de gols.

E quis o destino que a torcida argentina assistisse à sua seleção em uma final de Copa em solo próprio. O Brasil até fez o dever de casa e bateu a Polônia por 3×1, mas o poder de fogo dos nossos vizinhos contra o Peru foi fora do comum.

A Argentina entrou em campo sabendo que precisaria de uma vitória com pelo menos quatro gols de diferença para garantir a liderança do grupo e buscou o resultado. Aos 72’ Luque fez o seu segundo na partida e fechou o placar em 6×0 para os hermanos. Assim, com 8 gols de saldo, contra 5 do Brasil, a Argentina avançou à final e nos restou a disputa do terceiro lugar.

A goleada por 6×0 foi um resultado totalmente inesperado. Apesar de tecnicamente ser pior que a Argentina, o Peru não era uma seleção qualquer. Foi campeão da Copa América em 1975, tinha vencido a Escócia por 3×1 no mundial e empatado com a Holanda (que perdeu a final para os donos da casa).

O resultado completamente fora das expectativas, até hoje, alimenta a suspeita de  favorecimento à Argentina, embora nada tenha sido comprovado.

Terceiro Lugar

A Itália saiu na frente com um gol de Causio aos 38 da primeira etapa. Paolo Rossi (sim, o carrasco de 82) carregou pela direita e cruzou para seu companheiro que cabeceou sozinho dentro da pequena área. Paolo Rossi continuou dando trabalho para a defesa brasileira e quase ampliou o placar, mas acertou a trave.

No segundo tempo, Nelinho empatou para o Brasil. Com sua potente perna direita, soltou uma bomba da quina da grande área e a bola morreu no fundo das redes depois de uma curva espetacular.

A virada veio com Dirceu aos 72’. Rivelino, que fazia sua última partida pela seleção, encarou a marcação na intermediária e lançou Jorge Mendonça, que não conseguiu dominar. A bola sobrou para Dirceu na entrada meia-lua e o jogador não perdoou: um petardo indefensável no mesmo canto do primeiro gol.

O Brasil, curiosamente, terminou a copa em terceiro lugar mesmo não tendo perdido nenhum jogo. O técnico Claudio Coutinho, na época, chegou a afirmar que a nossa seleção foi a campeã moral

Final

No estádio Monumental de Nuñez, os donos da casa encararam a Holanda na grande final. A Argentina abriu o marcador com Kempes ainda no primeiro tempo e a Holanda só conseguiu o empate a oito minutos do fim, com Nanninga.

Na prorrogação, Kempes novamente marcou aos 105’ e Bertoni, aos 116’, matou qualquer esperança da Holanda de empatar o jogo.

O título argentino reforçou ainda mais as teorias de que houve favorecimento indevido no mundial. Além da goleada sobre o Peru, um outro motivo que sustenta esse pensamento é o fato de que a Argentina, na época, enfrentava os seus piores anos da ditadura de Rafael Videla.

Assim, o governo usaria do futebol como um trunfo para calar a oposição e tirar o foco das graves violações de direitos humanos (como assassinatos e torturas) que ocorriam na época. Inclusive, historiadores da época concordam que isso realmente aconteceu.

De toda forma, mesmo que não tenha ocorrido nenhuma manipulação, fato é que a maioria dos brasileiros não se convencerá disso.

Você acredita que a Argentina realmente mereceu esse título? Conte para a gente aí nos comentários!

Cadastre-se grátis no SPM365