A preparação para a Copa foi mal planejada e o resultado foi uma eliminação ainda na fase de grupos.

Eliminatórias

Sediada na Inglaterra, a copa de 1966 foi o oitavo mundial disputado entre as seleções. Mas não foi tão fácil definir quem seriam os países participantes por causa de um protesto.

Dezesseis seleções africanas decidiram boicotar o torneio porque a FIFA havia determinado que o campeão do continente deveria enfrentar o campeão da Oceania ou da Ásia para ir ao mundial. Os africanos acreditavam (e com razão) que o vencedor do continente deles deveria estar garantido no mundial, mas a FIFA não cedeu à pressão.

No fim, a distribuição das vagas ficou assim:

  • Europa: 10
  • América do Sul: 4
  • Ásia: 1
  • América do Norte, Central e Caribe: 1

O Brasil, por ser o atual campeão, estava garantido na Copa e pelo plantel com grandes nomes, era o maior candidato ao título. Era a Copa do tri.

Fase de grupos

As 16 seleções participantes foram sorteadas em quatro grupos de quatro equipes, que se enfrentariam em turno único e os dois melhores avançariam às quartas. O Brasil era um dos cabeças de chave junto com Alemanha Ocidental, Inglaterra e Itália.

Mas, enquanto a Alemanha Ocidental e Inglaterra fizeram valer o favoritismo dentro de seus grupos, Brasil e Itália decepcionaram e sequer avançaram para o mata-mata. O curioso é que a Seleção Canarinho e a Azurra tiveram a mesma campanha no mundial: vitória na estréia por 2×0, que foi seguida de duas derrotas.

O grupo do Brasil não era dos mais fáceis, já que a Hungria tinha uma equipe forte e Portugal também, liderado pelo craque Euzébio. A 4ª seleção do grupo era a Bulgária, que tinha papel de figurante em meio às demais.

O homem à frente da Seleção era Vicente Feola. O treinador passou por problemas de saúde antes do mundial, mas conseguiu se recuperar a tempo e retornou ao comando para buscar o seu bicampeonato, já que que tinha sido campeão em 58. Entretanto, essa foi a primeira edição em que a atual campeã caía na fase de grupos.

1ª rodada – Brasil x Bulgária

Na estreia, vitória da Seleção Canarinho por 2×0 com gols de Garrincha e Pelé. Essa partida foi a última em que os dois jogaram juntos vestindo a amarelinha, mas, apesar da vitória, a atuação não foi boa.

O futebol que a seleção apresentou era desorganizado, era visível a falta de um esquema de jogo bem definido. Além disso, os búlgaros não aliviaram na marcação e fizeram uma verdadeira caçada por Pelé, que apanhou demais.

2ª rodada – Hungria x Brasil

Na segunda partida da seleção, Pelé não entrou em campo. Depois dos golpes do primeiro jogo, nosso melhor atleta ficou no banco de reservas.

Mais uma vez, a seleção enfrentou um adversário que marcava pesado e logo aos 2′ de bola rolando a Hungria abriu o placar. Aos 14′, Tostão igualou e a primeira etapa terminou com igualdade. No segundo tempo, os húngaros ampliaram aos 64′ e marcaram novamente aos 73′, dando números finais ao confronto.

Portugal liderava com 4 pontos (as vitórias valiam 2 pontos) e a Hungria, assim a nossa seleção, tinha 2 pontos conquistados. Portanto, só a vitória no último jogo contra os portugueses nos interessava.

3ª rodada – Portugal x Brasil

Era o jogo da vida para a nossa seleção. Precisávamos vencer de qualquer maneira para garantir a classificação. Portugal, por sua vez, entrou em campo disposto a fazer o que fosse preciso para anular nosso ataque. Com Garrincha no banco, os lusitanos então concentraram seus esforços em tirar Pelé do jogo.

Após o primeiro gol português aos 15′, Pelé sofreu duas faltas duríssimas e se machucou. Continuou em campo, mas era nítido que não tinha o mesmo volume de jogo porque estava mancando. Aos 27′, Portugal marcou novamente com Eusébio, o craque do time.

Com Pelé machucado e um time que não sabia jogar em equipe, era difícil buscar a reação. Somente aos 70′ Rildo descontou para o Brasil, mas Eusébio ainda achou mais um gol e fechou o jogo em 3×1 para colocar os portugueses na próxima fase.

Mata-mata

Nas quartas de final, os classificados foram Inglaterra, Portugal, Alemanha Ocidental e União Soviética. O resultado mais surpreendente, sem dúvidas, foi o de Portugal, que chegou a perder por 3×0 para a Coréia do Norte e virou o jogo no segundo tempo para 5×3.

Em uma das semifinais, a Alemanha Ocidental abriu dois tentos de vantagem sobre a União Soviética, que descontou com um gol a dois minutos do fim de jogo. Na outra semifinal, a Inglaterra enfrentou Portugal e o roteiro foi parecido: ingleses abriram o placar no primeiro tempo, aumentaram no segundo e viram o adversário marcar um gol no fim da partida. Assim, ficou definido que a Inglaterra enfrentaria a Alemanda Ocidental na grande final.

Final – Inglaterra x Alemanha Ocidental

Apesar de jogar em casa, não era da Inglaterra o favoritismo para a final. Os próprios ingleses sabiam que a Alemanha Ocidental era muito forte e tinha totais condições de levar o título.

E a Alemanha foi quem saiu na frente, aos 12′, com Haller. Os ingleses buscaram o empate logo em seguida e viraram a partida na segunda etapa. No último minuto, a Alemanha achou um gol de empate e o jogo foi para a prorrogação.

Então, aconteceu um dos lances mais polêmicos de todos os tempos: Hurst, que já tinha feito um gol, recebeu dentro da área, virou e chutou forte. A bola bateu no travessão e quicou próximo à linha do gol. Se entrou mesmo, ninguém sabe, mas depois de muita reclamação, o árbitro validou o gol.

Hurst ainda conseguiu fazer mais um no último minuto da prorrogação para tirar qualquer esperança da Alemanha e se tornou o único jogador a fazer um hat trick em uma final de copa. Inglaterra campeã em casa e festa em Wembley.

Qual detalhe dessa Copa mais te marcou? Conta aí nos comentários!

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