Em 1958, o Brasil se mostrou potência mundial no futebol, em 1962 se reafirmou e em 1970 encantou o mundo. Entenda tudo sobre a incrível conquista da Seleção Canarinho que encantou o mundo.

As eliminatórias sul americanas

Em 1969, as eliminatórias eram separadas em 3 grupos: um com 4 equipes e os outros dois com 3 equipes e, sem sorte, o Brasil caiu no grupo com 4 equipes. Porém, a Seleção Canarinho “voou” naquela eliminatória. Foram 6 vitórias, 23 gols marcados, apenas 2 tomados e ali já se configurava uma grande equipe de futebol.

Por fim, o sorteio de grupos da Copa seria realizado no dia 10 de janeiro de 1970 no hotel Maria Isabel Sheraton, na Cidade do México, reservando grandes surpresas para o Brasil.

Itália x Brasil – 21 de junho de 1970

O “grupo da morte”

A Copa do Mundo de 1970 contava com 16 seleções divididas em 4 grupos e o Brasil, ainda sem muita ajuda do acaso, caiu no “grupo da morte”, mais precisamente o grupo 3 e assim estavam divididas as equipes:

Grupo 1:

  • União Soviética
  • México
  • El Salvador
  • Bélgica

Grupo 2:

  • Itália
  • Uruguai
  • Suécia
  • Israel

Grupo 3:

  • Brasil
  • Inglaterra
  • Romênia
  • Tchecoslováquia

Grupo 4:

  • Alemanha
  • Peru
  • Bulgária
  • Marrocos

Para entender a difícil situação do Brasil, basta lembramos que o grupo continha apenas seleções no topo do futebol da época. Checoslováquia foi vice-campeã em 1962 contra o próprio Brasil, a Inglaterra era a atual campeã e a Romênia fez uma grande eliminatória, eliminando Portugal de Eusébio.

Primeira fase

A seleção de 70 era incrível. Zagallo assumiu o comando a partir de 1970 (até 1969 era comandada por João Saldanha que por divergências com CDB, foi destituído do cargo) e orquestrou magistralmente aquele time. Nunca se teve uma seleção com tantos camisas 10 em campo e era um espetáculo elegante e prazeroso de se ver. O Brasil encantaria o mundo como nunca fora visto antes.

O Brasil contava com: 

Goleiros: Félix, Ado e Leão.
Defensores: Carlos Alberto, Zé Maria, Marco Antônio, Everaldo, Brito, Piazza, Baldocchi, Fontana e Joel.
Meias: Clodoaldo, Gérson, Rivelino e Paulo César.
Atacantes: Jairzinho, Tostão, Pelé, Roberto, Edu e Dadá Maravilha.

No primeiro jogo, o Brasil encararia a Checoslováquia, na reedição da final de 62. Os tchecos vieram sedentos pela vitória, abrindo o placar aos 11 minutos com Petras, mas a Seleção Canarinho se alinhou e dominou o jogo virando para 3×1, com gols de Rivelino, Pelé e Jairzinho.

Uma curiosidade interessante deste jogo foi a tentativa de Pelé ao ver o goleiro Ivo Viktor adiantado, tentar um gol do meio de campo. A bola passou rente, bem próxima a trave e o lance ficou conhecido como “o gol que pelé não fez”.

No segundo confronto, a seleção canarinho encarou a atual campeã Inglaterra, em um jogo duro e truncado. Com grandes chances para cada um dos lados, os ingleses exigiram boas atuações do goleiro Félix e do outro lado o lendário goleiro Gordon Banks defenderia uma cabeçada de Pelé que é considerada a defesa mais bonita do século.

O jogo foi travado e um tanto ansioso, porém aos 14 do segundo tempo o Brasil chegou ao gol bem ao seu estilo. Tostão conseguiu um cruzamento na medida para Pelé, que ajeitou a bola sutilmente para Jairzinho fuzilar o goleiro Banks e dar números finais a partida, Brasil 1×0.

Chegou então o terceiro confronto, contra a Romênia o Brasil teria muito trabalho, já que o adversário estava vivo na competição e lutava pelo segundo lugar contra os ingleses. Porém o Brasil já estava maduro e com seu futebol consolidado em campo.

Pelé abriu o marcador em uma bela falta, Jairzinho ampliou em uma bela jogada tramada e os romenos diminuíram com Dumitrache. Pelé ampliou em mais uma jogada trabalhada pela ponta (especialidade da seleção naquela época) Dembrowski diminuiu, porém já era tarde e o Brasil vencia por 3×2, se classificando para as quartas de final e os romenos voltariam para casa.

Quartas de final

Nas quartas o Brasil encarou a seleção peruana com a então melhor geração que este país já teve no futebol. A equipe contava com Teófilo Cubillas, um dos maiores jogadores do século 20.

Mas infelizmente não deu para Cubillas e cia. O Brasil dominou o jogo do começo ao fim e a seleção jogava solta, quase que por telepatia. Às vezes passando a bola até mesmo sem olhar (como Ronaldinho Gaúcho fazia em tempos recentes).

O Brasil abriu o marcador com Rivellino e ampliou com Tostão em um belo gol batendo sem ângulo por baixo do goleiro peruano. Gallardo diminuiu para 2×1, mas Tostão estava infernal e em jogada feita com Pelé, marcou o 3×1. Gol este que é lembrado pela saudosa narração de Geraldo José de Almeida: “Olha lá, olha lá, olha lá no placar!”.

Em uma falha na marcação, Cubillas pegou o rebote e deixou o dele, como não poderia faltar. E no final do jogo, em passe espetacular de Rivellino, Jairzinho saiu cara a cara com o goleiro, driblou e marcou 4×2 para colocar o Brasil na semi da copa.

Semifinal

Na semifinal o Brasil teria um páreo duro contra os uruguaios, que faziam uma boa campanha e eram algozes do Brasil em 1950.
E o susto viria logo cedo com Cubilla (coincidentemente o mesmo nome do jogador peruano) aos 19 minutos do primeiro tempo.

O Brasil precisou se reorganizar e com apoio da torcida, aos poucos foi colocando o futebol nos eixos e os uruguaios na roda.
A virada ficou por conta do “trio endiabrado”. Clodoaldo aos 44 do primeiro tempo, Jairzinho aos 31 do segundo tempo e Rivellino fechando o placar aos 45 do segundo tempo para decretar a vitória canarinho.

Este jogo ficou marcado pelo lance genial e inacreditável de Pelé que com um passe em diagonal de Gerson, driblou o goleiro Mazurkiewicz com o corpo e por capricho do destino a bola saiu tirando tinta da trave direita do Uruguai.

“90 milhões em ação”

O dia era 21 de junho de 1970, 107 mil pessoas se apinhavam no estádio Azteca na Cidade do México. O Brasil chega a mais uma final de Copa do Mundo, a quarta nas últimas 6 edições. Talvez não como o favorito, pois do outro lado havia a poderosa Itália, também bicampeã do mundo.

O que diferenciava o Brasil era o seu futebol mágico que além de ser revolucionário para a época, havia encantado todo o mundo. A seleção italiana, não menos técnica e também capaz, jogava um futebol ao molde europeu porém em uma tática já considerada ultrapassada por especialistas.

E assim foram a campo:

Brasil: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson, Jairzinho e Tostão; Pelé e Rivelino.
Itália: Albertosi; Burgnich, Rosato, Cera, Facchetti; Bertini, Domenghini e De Sisti; Mazzola, Riva e Boninsegna.

Era o jogo que iria decidir o primeiro tricampeão mundial e o primeiro dono da taça Jules Rimet (como era conhecido o troféu do mundial na época) pois existia uma regra que a taça mudaria de mãos a cada mundial até que uma seleção fosse tri, podendo assim ficar com o troféu em definitivo.

Aos 18 minutos, o Brasil já mostrava ao mundo o porque era a melhor seleção da história. Rivellino cruza e Pelé sobe no quarto andar para marcar de cabeça, desta vez não teria Gordon Banks para fazer milagre.

O nível de confiança era tão alto que em uma tentativa de calcanhar de Clodoaldo, os italianos roubaram a bola e Boninsegna empatou o jogo aos 37 do primeiro tempo.
Nas palavras do eterno capita (que descansa em paz e no coração dos fãs do futebol): “Não queria saber o que o Clodoaldo teve de escutar naquela hora.”

Aos 21 do segundo tempo, Gérson em grande jogada individual driblou, abriu espaço e com sua “abençoada canhota” bateu forte no canto de Albertosi, colocando o Brasil na frente no placar.

Logo aos 26, Jairzinho ampliou ao receber uma bola de Pelé que fez mais um pivô (e como o rei fazia isso com incrível facilidade).

E para sacramentar, aos 41 do segundo a história foi escrita assim:

Tostão puxou a marcação na meia lua da grande área enquanto Jairzinho driblou e passou para Pelé, que recebeu na frente dos zagueiros. Pelé com toda sua genialidade dominou calmo, sem se afobar e com uma rápida olhada para seu lado direito, viu Carlos Alberto descendo em velocidade para dentro da grande área. Ele rolou e o “capita” fuzilou, sem chances para Albertosi.

Este gol que na humilde opinião deste que vos escreve, é o gol mais bonito da história das copas.

E assim foi.
Brasil tricampeão mundial, uma aula de futebol, dribles e classe.

Selo postal – 1970

Algumas curiosidades sobre este jogo:

Zagallo se tornou nesta partida a primeira pessoa a ser campeã tanto como técnico quanto como jogador.

O ator Carlos Villagrán, o Kiko no seriado Chaves, era fotógrafo esportivo e cobriu esta partida do campo do estádio Azteca.
Fã declarado do futebol brasileiro, Villagrán disse que essa foi uma das experiências mais mágicas de sua vida.

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