O SPM 365 traz para vocês a incrível história da primeira edição da Taça Brasil, considerada pela CBF a primeira competição nacional de clubes, onde o Bahia surpreendeu a tudo e a todos. 

Lave suas mãos e venha com a gente nessa viagem ao passado do futebol brasileiro.

Taça Brasil e o começo de uma nova era

Primeiramente, vamos introduzir o contexto da época no futebol brasileiro e a necessidade da criação de uma competição nacional de clubes. Em 1959, o Brasil era a única potência do futebol sul americano que ainda não possuía uma competição a nível nacional entre suas equipes. Até então o que se tinha era um famigerado torneio de “seleções” estaduais que competiam entre si.

A Taça Brasil surgiu com o objetivo de eleger um campeão nacional que representasse o Brasil na recém criada Taça Libertadores da América, que teria sua primeira edição realizada em 1960.
No começo a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) enfrentava grandes desafios como a locomoção das equipes, pois em um país de proporções continentais, a distância era um fator desmotivador para os times. Além do problema com calendário dos clubes, nesta época, amistosos internacionais eram mais rentáveis então os clubes os realizavam o máximo possível.

O “Tricolor de Aço”

A organização da Taça Brasil 1959

Foi então que em 1959 a CBD juntou todos os campeões estaduais e montou o primeiro formato de competição nacional até então.

São eles:

  • ABC – Campeão potiguar de 1958
  • Atlético MG – Campeão mineiro de 1958 
  • Atlético PR – Campeão paranaense de 1958
  • Auto Esporte – Campeão paraibano de 1958
  • Bahia – Campeão baiano de 1958
  • Ceará – Campeão cearense de 1958
  • CSA – Campeão alagoano de 1958
  • Ferroviário – Campeão maranhense de 1958
  • Grêmio – Campeão gaúcho de 1958
  • Hercílio Luz – Campeão catarinense de 1958
  • Manufatora – Campeão fluminense de 1958
  • Rio Branco – Campeão capixaba de 1958
  • Santos – Campeão paulista de 1958
  • Sport – Campeão Pernambucano de 1958
  • Tuna Luso – Campeã paraense de 1958
  • Vasco da Gama – Campeão carioca de 1958

A forma de disputa escolhida era um tanto confusa mas uma revolução para a época. Foi estabelecido um torneio em 3 fases, todas no formato eliminatório, onde a primeira era dividida por região.

Os campeões carioca e paulista entraram somente na última fase do torneio.

Para a primeira fase os times foram divididos por 4 grupos: 

  • Grupo Nordeste: ABC, Ceará, CSA e Bahia
  • Grupo Norte: Ferroviário, Tuna Luso, Auto Esporte e Sport
  • Grupo Leste: Hercílio Luz, Atlético PR e Grêmio*
  • Grupo Sul: Rio Branco, Manufatora, Atlético MG*

*Por decisão da CBD, Atlético MG e Grêmio entraram na fase final de seus respectivos grupos.

Na segunda fase, os vencedores dos grupos Nordeste e Norte disputaram o título de campeão da Zona Norte e dos grupos Leste e Sul, o campeão da Zona Sul.

Na segunda fase os campeões se encontraram nos seguintes confrontos:

  • Bahia x Sport – (3×2 Bahia, 6×0 Sport, 2×0 Bahia)
  • Atlético MG x Grêmio – (4×1 Grêmio, 1×0 Grêmio)

Na terceira fase, com a entrada dos campeões carioca e paulista, os confrontos ficaram assim:

  • Bahia x Vasco – (1×0 Bahia, 2×1 Vasco, 1×0 Bahia)
  • Grêmio x Santos – (4×1 Santos, 0x0)

Estava configurada assim uma das finais mais épicas da história do futebol brasileiro.

A grande final: Bahia de Léo Briglia x o Santos de Pelé

Para elucidar o feito do Bahia, devemos colocar em perspectiva todo o cenário do futebol nacional daquela época, que resumia-se basicamente a Rio e São Paulo. Todo o elenco da seleção brasileira campeã do mundo em 58 era formado por jogadores desses dois estados.

Este cenário se estendia desde 1922, quando foi criado o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais que, em 30 edições, 28 foram vencidas por Rio e São Paulo, sendo apenas 2 vencidas pela seleção baiana, em 1934, e a seleção mineira, em 1962 (última edição).
Ou seja, a equipe do Bahia havia conquistado um feito incrível só por chegar à final enfrentando equipes fortíssimas como o Vasco de Bellini, capitão da seleção campeã do mundo em 58.

E se não bastasse, a final seria contra o todo poderoso Santos de Pepe, Zito e Pelé, campeões do mundo no ano anterior.

O primeiro jogo da decisão era em terreno santista. A Vila Belmiro seria palco deste surpreendente embate, no qual o Santos era o favorito em todas as hipóteses. Já o Bahia, estava confiante. O tricolor de aço já tinha provado para o Brasil o seu poder então jogava livre de pressão.

O jogo em si foi emocionante do começo ao fim, logo aos 15 minutos o jovem Pelé abriu o placar, Biriba empatou o para o Bahia aos 26’ e Alencar virou aos 12 do segundo tempo, colocando o tricolor em vantagem. Pepe empatou tudo aos 32 e no último minuto de jogo, Alencar marcou novamente para decretar a vitória tricolor em plena Vila Belmiro.

O mundo do futebol estava atônito pelo feito do Bahia.

O segundo jogo da decisão ocorreu no Estádio da Fonte Nova, em Salvador, porém, o Santos, conhecendo melhor o adversário, não deu brechas para o azar e dominou o jogo com gols de Coutinho aos 7 minutos e Pelé aos 28.

Com este resultado, seria necessário um terceiro jogo, que estava marcado para o dia 30 de dezembro de 1959, porém havia problemas com o calendário santista: naquele período havia uma excursão marcada, então a partida foi remarcada somente para o dia 29 de março do ano seguinte.

Para complicar mais a situação, o Bahia perdeu o seu técnico Geninho, que alegou problemas pessoais, e o argentino Carlos Volante assumiu como substituto. Em contrapartida, o Santos perdeu Pelé com uma inflamação na garganta.

Os times foram a campo com:

Bahia: Naldinho; Nenzinho, Henrique, Beto e Vicente; Flávio, Mário, Marito e Alencar; Léo e Biriba. Técnico: Carlos Volante.
Santos: Lalá; Getúlio, Mauro, Formiga e Zé Carlos; Zito, Mário, Dorval e Pagão; Coutinho e Pepe. Técnico: Lula.

O jogo foi realizado no Maracanã e foi extremamente ríspido e pegado. Ao todo, foram 4 expulsos do lado santista (Getúlio, Formiga, Dorval e Coutinho) e 1 dos baianos (Vicente).
Coutinho abriu o placar aos 27 do primeiro tempo para o Santos, porém o Bahia não sentiu o golpe. Vicente empatou aos 37, Léo virou aos 2 minutos do segundo tempo e Alencar aos 30 fechou o placar.

O Bahia alcançava então a sua glória!

Nas palavras do treinador do Bahia, Carlos Volante:

“O Bahia entrou em campo para vencer, estava vencendo, tudo indicava que venceria, e nisso tudo, só sinto que os jogadores do Santos tenham agido daquela forma, empanando a vitória que reputo a mais brilhante do futebol baiano em todos os tempos”

Jornal da época

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