Revelado pelo Cruzeiro, Ronaldo Luis Nazário de Lima superou graves lesões e se tornou um dos maiores atacantes da história do futebol mundial.

Ronaldo nasceu em 1976 e passou sua infância em Bento Ribeiro, zona norte do Rio de Janeiro. De família humilde, seu primeiro contato com futebol aconteceu no Valqueire Tênis Clube, onde costumava matar aulas para dançar também.

Depois disso, Ronaldo acabou perdendo a oportunidade de treinar no Flamengo porque não tinha dinheiro para pagar as passagens de ônibus diariamente. Foi, então, treinar no São Cristóvão.

Lá, começou a sua trajetória rumo ao estrelato. Jairzinho, um dos heróis do tricampeonato mundial em 1970, viu o promissor atacante em atuação e decidiu comprar seu passe. O ex-jogador conseguiu convencer o Cruzeiro a contratar Ronaldo depois que ele foi artilheiro do Sulamericano sub-17 mesmo com a pior campanha da história da seleção brasileira no torneio.

Cruzeiro

No clube celeste, aos 16 anos, Ronaldo fez a sua estreia como jogador profissional e logo quando marcou seu primeiro gol num amistoso em Portugal, recebeu a primeira proposta da Inter de Milão. O Cruzeiro havia pago 50.000,00 dólares por 55% do passe do atacante e mesmo assim recusou a proposta de 500.000,00 dólares do clube italiano.

Em 1993, Ronaldo foi uma das principais peças da equipe. Apesar da pouca idade, anotou 12 gols em 14 partidas (sendo 5 deles em um único jogo contra o Bahia) pelo Brasileirão, além de ter sido o maior goleador da Supercopa da Libertadores com 8 bolas na rede.

Copa do Mundo de 94: coadjuvante

As boas atuações pelo time de Minas Gerais levaram Ronaldo à seleção brasileira. Depois de ser convocado para amistosos em 93, Carlos Alberto Parreira anunciou que o garoto estaria no elenco que disputaria o mundial dos Estados Unidos. Mas, com Bebeto e Romário mais experientes e em pleno auge, Ronaldo não tinha espaço e acabou não disputando nenhuma partida na Copa.

PSV

Um pouco antes do Mundial, o PSV, da Holanda, conseguiu tirá-lo do Cruzeiro. Por lá, fez 54 gols em 57 partidas mesmo sem dominar o idioma local e continuava a chamar atenção do mundo todo. Mas ainda no PSV os problemas no joelho começaram a aparecer. Em fevereiro de 1996, fez Ronaldo fez sua primeira cirurgia e voltou aos gramados em abril, contrariando a recomendação médica de uma recuperação lenta e gradual.

Como estava se recuperando, foi para o banco de reservas e, insatisfeito, pediu sua saída do clube.

Barcelona

No clube catalão, Ronaldo não parou de surpreender. Fez valer o investimento e com incríveis 17 gols em 20 jogos, fez a alegria dos blaugranas. Ao fim do ano, veio o reconhecimento: recebeu o prêmio de melhor do mundo aos 20 anos e a chuteira de Ouro da UEFA. Também conquistou a taça da Copa do Rei e a Recopa Europeia, mas perdeu o título do campeonato espanhol para o Real Madrid na última rodada.

Sem conseguir chegar a um consenso com a diretoria do clube para aumentar seu salário, a Inter finalmente teve a chance que precisava para contratar o craque.

Inter

Em sua temporada de estreia, Ronaldo balançou as redes 14 vezes em 19 jogos e, mais uma vez, foi eleito o melhor do mundo e recebeu a Bola de Ouro da France Football. Foi aí que a imprensa italiana o apelidou de Fenômeno.

A Inter perdeu de forma bastante polêmica o título do italiano para a rival Juventus – curiosamente por um pênalti não marcado que Ronaldo sofreu. Mas na temporada seguinte, em 1997/98, o time levou para casa a Copa da UEFA.

Ronaldo já vinha com dificuldades de emplacar uma boa sequência de atuações antes do Mundial e depois da polêmica final contra a França, a situação se manteve. No fim de 99, se machucou sozinho numa partida contra o Lecce quando foi antecipar um adversário para roubar a bola.

Em abril de 2000 aconteceu a volta aos gramados. Ronaldo substituiu Adriano numa partida contra a Lazio e na sua primeira tentativa de drible, seu joelho saiu do lugar.

Dada a gravidade da lesão e o histórico ruim do joelho direito, a crença geral era de que a carreira do craque brasileiro havia acabado ali. 20 meses depois de passar por uma recuperação bastante cuidadosa e lenta, Ronaldo começou sua volta aos gramados, mas de forma bem gradual.

Naquela temporada (2001/02), a Inter estava prestes a conquistar o campeonato italiano depois de um jejum de incríveis 12 anos. Na última partida, contra a mesma Lazio, Ronaldo foi substituído e viu seu time perder por 4×2, resultado que deu o título à Juventus.

Copa de 2002: a redenção

Para o mundial, o técnico Felipão teve pulso firme para bancar a convocação de Ronaldo, que estava longe de ser unanimidade no Brasil. O que complicava a situação era que, para levar o Fenômeno, um outro atacante já consagrado e campeão do mundo ficaria de fora: Romário. Bom, depois da Copa, ninguém mais questionava a escolha de Luiz Felipe Scolari.

Ronaldo foi o artilheiro da competição e só a Inglaterra, nas quartas, não foi vítima do seu faro de gol. Todos os outros adversários do Brasil viram Ronaldo balançar as redes pelo menos uma vez. Nas semifinais contra a Turquia, foi decisivo e marcou o único tento da vitória. Na final, deu show e entrou para a história ao bater o quase invencível Oliver Kahn por duas vezes para garantir o nosso pentacampeonato.

Real Madrid

Ronaldo forçou sua saída da Inter supostamente por não aceitar receber menos que outros colega de clube. Tentou ir para o Barcelona, mas os catalães passavam por uma crise e não poderiam comprá-lo naquele momento. No final da janela de transferências, o Real Madrid decidiu contratá-lo.

Era questionado mesmo tendo sido eleito o melhor do mundo em 2002 e só caiu nas graças da torcida depois de um hat trick contra o Manchester que eliminou os ingleses nas quartas de final da Champions. Mesmo caindo para a Juventus na semifinal, Ronaldo terminou a temporada campeão espanhol, artilheiro com 23 gols anotados.

Nessa época, Ronaldo fez parte de um dos mais subestimados times da história: os galáticos. Além dele, Figo, Beckham, Roberto Carlos, Julio Baptista, Zidane, Robinho entre outras estrelas estavam no time. Mas essa seleção recheada de craques decepcionou e não correspondeu dentro de campo.

Ronaldo fez temporadas razoáveis até 2006/07, quando começou a perder espaço com a chegada do artilheiro holandês Ruud van Nistelrooy, além de enfrentar críticas por conta do seu sobrepeso.

Copa de 2006: Zidane (mais uma vez)

Mais uma vez sob o comando de Parreira, Ronaldo foi à Copa do Mundo para representar o Brasil. Além dele, compunham o ataque da seleção: Adriano, Kaká e Ronaldinho Gaúcho e o quarteto ficou conhecido como Quadrado Mágico.

Na fase de grupos, nada de sustos. 3 vitória em 3 jogos, 7 gols marcados (1 sofrido). Nas oitavas enfrentaríamos Gana, uma seleção muito forte fisicamente mas que deixava a desejar na técnica e na habilidade. Não tomamos conhecimento do adversário e passamos com um 3×0 sem dificuldades. Nesse jogo, Ronaldo fez seu 15º gol em copas e se tornou o maior artilheiro da história, deixando para trás o alemão Miroslav Klose.

Nas quartas, infelizmente, Zidane e companhia foram nossos algozes mais uma vez. As seleções estavam abertas ao jogo, mas a faltava pontaria, já que até o início do segundo tempo nenhuma delas tinha finalizado com perigo. Mas na primeira chance que teve, Henry marcou: Zidane alçou a bola na área e o atacante, livre de marcação, finalizou para dentro da meta de Dida.

A Seleção Canarinho até tentou, mas a noite era de Zidane. O astro francês ainda deu um chapéu em Ronaldo em uma disputa de bola no meio do campo e a partida terminou assim: 1×0 para a França e o Brasil fora da Copa nas quartas.

Milan

Sem espaço na Espanha, foi acolhido pelo Milan, rival da Inter. Mas sua passagem foi curta, já que se lesionou e os rossoneri não tiveram interesse em renovar seu contrato. Foram apenas 20 partidas e 9 gols.

Flamengo

Sem vínculo com nenhum clube, o atacante retornou para as terras brasileiras em 2008 e treinou nas dependências do clube da Gávea para se recuperar da sua cirurgia no joelho. Sem proposta do rubro-negro, acertou com o Corinthians.

Corinthians

Sua estreia foi contra o Ituano, mas Ronaldo passou em branco. Quiseram os deuses do futebol que seu primeiro gol fosse contra o maior rival do coringão: o Palmeiras. Num clássico pelo Paulistão, o alviverde vencia por 1×0 até que, aos 47 do 2º tempo, Ronaldo fez um gol de cabeça (raridade em sua carreira). A torcida foi à loucura e o alambrado do Pacaembu não suportou a comemoração do bando de loucos.

Ronaldo voltou a mostrar que ainda tinha futebol. Mesmo acima do peso, levou o time à conquista do estadual e marcou um golaço na final contra o Santos: encobriu o goleiro Fábio Costa de fora da área num lance que absolutamente ninguém esperava que ele fizesse isso. De quebra, no mesmo ano ainda levou a Copa do Brasil.

Em 2010, o Fenômeno passou a ser pouco aproveitado por causa das lesões e do sobrepeso que já o acompanhava há alguns anos. Mesmo sem ele, o Corinthians se classificou para a Libertadores do ano seguinte, mas saiu de forma inesperada. O algoz foi o Tolima, que eliminou o clube na pré-libertadores, fato inédito no futebol brasileiro até então. Logo depois disso, Ronaldo convocou a imprensa e anunciou o fim da sua carreira em 2011.

O que mais te marcou na carreira do Ronaldo? Qual o gol mais bonito? Conte para a gente nos comentários!