Maradona foi espetacular e conduziu a Argentina ao seu segundo título mundial. Brasil sofreu com queda precoce, mesmo mostrando bom futebol.

Da edição de 1950 até 1978, o número de participantes foi sempre o mesmo: 16. Em 82, houve um aumento para 24 candidatos à taça, que foi mantido para a edição seguinte. Entretanto, o mundial de 86 foi pioneiro no formato de disputa: até então, nenhuma outra Copa do Mundo tinha tido uma primeira fase de grupos seguida de um mata-mata a partir das oitavas de final.

Os 24 países foram divididos em seis grupos de quatro seleções que se enfrentaram, todas contra todas, em turno único. Os dois melhores de cada grupo se garantiam nas oitavas, além dos quatro melhores terceiros colocados,

Fase de grupos: Brasil 100%

A Seleção Canarinho, uma das cabeça de chave, caiu no grupo D:

  • Brasil
  • Espanha
  • Irlanda do Norte
  • Argélia

Na rodada de estreia, uma vitória simples sobre a Espanha (gol de Sócrates). Na segunda partida, a vítima foi a Argélia, que também perdeu pelo placar mínimo (gol de Careca). Na última rodada, um 3×0 para cima da Irlanda que empolgou nossa torcida: Careca abriu o placar, num chute de primeira, Josimar acertou um petardo do meio da rua que encobriu o goleiro adversário e Careca, de novo, marcou depois de uma bela triangulação dentro da área.

Mata-mata: queda precoce

Nas oitavas de final, o Brasil passou por cima do time da Polônia. O jogo começou com um clima tenso e nossos adversários acertaram a trave em duas oportunidades, mas não teve jeito. Sócrates marcou o primeiro de pênalti e Josimar, Edinho e Careca fizeram os outros três. O elástico 4×0 sobre a terceira colocada da Copa de 82 veio para alimentar ainda mais as expectativas depois das três vitórias da primeira fase.

A Polônia não e um timinho qualquer, foi terceira colocada na última copa, em 82, e nós fizemos quatro sem jogar muito bem.

Fernando Vanucci ao comentar o resultado em um telejornal da TV Globo durante o mundial.

Nas quartas, contudo, os comandados de Telê Santana caíram para a França do grande Michel Platini. O jogo foi sensacional, daqueles testes para cardíacos, como cravaria Galvão Bueno anos depois. Com muitas chances clara para os dois lados e os goleiros trabalhando bastante, o tempo normal terminou com o 1×1 no placar – Careca e Platini marcaram. O Brasil até teve uma penalidade no segundo tempo, mas Zico bateu mal e desperdiçou a chance de definir a nosso favor.

Na prorrogação, mais um festival de grandes chances perdidas e a decisão foi para os pênaltis. Sócrates foi o primeiro a cobrar e perdeu; sem tomar distância, buscou o canto direito e Bats caiu para espalmar a bola. Stopyra, Alemão, Amoros, Zico, Bellone (que só marcou porque a bola acertou as costas de Carlos depois de bater na trave) e Branco converteram em seguida. Na quarta cobrança dos franceses, Platini (pois é, logo ele!) buscou o ângulo de Carlos e acertou a torcida. 3×3 e mais uma cobrança para cada lado.

Mas, na nossa quinta cobrança, Juio Cesar carimbou a trave. Nosso melhor jogador daquele Mundial (foi inclusive listado na seleção do torneio) perdeu a cobrança decisiva e vimos Luis Fernández converter a última penalidade da França. 4×3 para os Bleus e Brasil eliminado.

A grande final

Argentina e Alemanha Ocidental eram as seleções responsáveis pela decisão do mundial. Os hermanos, com Maradona no auge e bagunçando as defesas adversárias, eram os favoritos ao título, mas o futebol organizado dos alemães não ficava para trás.

Quando a bola rolou, Brown aos 23′ e Valdano aos 55′ deixaram a Argentina muito próxima da taça. Só aos 74′ a Alemanha descontou com Rummenigge e buscou o empate logo depois com Voller, aos 80. Aí, meus amigos, Maradona apareceu mais uma vez para desequilibrar: a 6 minutos do fim, o craque colocou Burruchaga em ótimas condições para anotar o terceiro da Argentina e fechar o placar.

Dom Diego Maradona havia ficado de fora do primeiro título mundial da Argentina, em 78, porque era novo demais e não tinha se firmado na seleção. Em 86, entretanto, o craque conseguiu sentir o gosto de ser campeão do mundo com a camisa de seu país.

Argentina x Inglaterra: para toda a história

Argentina e Inglaterra se enfrentaram nas quartas de final do Mundial e fizeram um jogo bastante lembrado até os dias de hoje. O confronto ultrapassava as 4 linhas do gramado, já que, em 82, a Argentina havia perdido a Guerra das Malvinas para os ingleses. Era a chance de uma revanche para os sul-americanos e Maradona tratou de despachar os europeus para casa.

O placar foi de 2×1 para os hermanos. Os dois gols foram marcados por Maradona, que teve uma atuação de gala. O emblemático gol de “la mano de Diós” foi o primeiro e o segundo foi aquela obra de arte em que ele driblou desde o meio do campo até passar pelo goleiro e empurrar para o gol.

Além do título, Maradona vingou o orgulho ferido de seu país.