O futebol brasileiro nem sempre foi relativamente organizado e seguidor de regulamentos como é hoje. As viradas de mesa* foram práticas famosas nos tempos antigos e diversos times se beneficiaram dela, confira três casos onde isso aconteceu e os times foram banidos do Brasileirão.

Coritiba – 1989

Time do Coritiba em 1989.

A história começou no contexto daquele brasileirão: em uma primeira fase em que as equipes divididas em grupos de 10 times se classificavam ou para a segunda fase para disputar o título ou iam para o torneio da morte para definir os rebaixados, Coritiba e Vasco chegaram na última rodada disputando classificação para a fase que definiria o título. No dia 4 de outubro, na vitória do Coxa diante do Sport no Couto Pereira, um torcedor invadiu o campo e agrediu o goleiro Rafael Cammarotta, que havia passado e marcado seu nome na história do Verdão antes. Com isso, o STJD puniu os paranaenses com a perda de um mando de campo.

Até ai, o clube alviverde não tinha nenhum problema. A punição era justa inclusive, já que era de fato absurda a invasão de um torcedor a campo para agredir um atleta. A situação começou a se complicar quando houve um problema sobre a data dos jogos do Vasco e Coritiba na última rodada. Inicialmente, os alviverdes conseguiram uma liminar para, independente do jogo ser em Juiz de Fora, jogarem no mesmo horário do Vasco, que havia tido seu jogo adiado para não ser prejudicado pela ausência de atletas que estavam na Seleção Brasileira.

A CBF, porém, descumprindo a liminar do STJD, manteve o Coritiba jogando no dia seguinte do Vasco. No dia 21 de Outubro, enquanto Jair Picerni treinava normalmente a equipe, a diretoria decidiu não ir a Juiz de Fora, que era um protesto e ao mesmo tempo o cumprimento de uma liminar. Então, o Verdão não foi ao jogo em Juiz de Fora e o Santos ficou batendo bola e venceu por WO. A CBF retirou 5 pontos do alviverde e o puniu com rebaixamento para a terceira divisão e suspensão de um ano.

A situação só se resolveu com um acordo costurado em 1990, com o Coritiba, que havia sido suspenso de competições pela CBF por um ano e rebaixado a terceira divisão, recebendo a permissão de jogar a Série B.

América-MG – 1993

Time do América-MG em 1993.

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O Brasileiro de 1993 teve um regulamento diferente. Eram 32 equipes, divididas em 4 grupos de 8, todas jogando 14 partidas de turno e returno. Até aí, tudo bem, porém o chaveamento era absurdo: as chaves A e B, formadas por membros do Clube dos 13 (Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco) com exceção do Grêmio, não tinham rebaixamento. Já na C e D – que contavam com todos os clubes vindos da segundona um ano antes – os quatro piores colocados iriam para a divisão abaixo.

Pela classificação final da primeira fase, o América-MG, 5º colocado do Grupo C e 16º na tabela geral (lembrando: entre 32 times!) foi rebaixado. Clubes como Atlético-MG (4 pontos), Botafogo (6), Fluminense (8) e Vasco (13) fizeram menos que os 14 pontos americanos, mas já estava determinado que não cairiam.

Revoltada com o rebaixamento, a diretoria do Coelho decidiu peitar a CBF. Convicto de que conseguiria se manter na Série A – com base no mérito esportivo, por ter feito campanha melhor que a de 16 adversários -, o clube, liderado pelo presidente Magnus Lívio, entrou na Justiça Comum contra a entidade máxima do futebol brasileiro.

A decisão arriscada da direção do clube mineiro foi entendida como rebeldia, resultando em uma punição sem recurso: o América foi banido do Brasileiro por duas temporadas, excluído das edições de 1994 e 1995. Sem calendário por muitos meses do ano, a saída foi recorrer a excursões internacionais, como a o tour pela Ásia em 1994, com amistosos na China, Catar e Arábia Saudita. 

O América voltou a jogar o Brasileiro na Série B de 1996, quando terminou em 5º. No ano de 1997, em uma equilibrada disputa com a Ponte Preta, o clube se sagrou campeão da segundona e conquistou o acesso que enterrou de vez o trauma do banimento.

Gama – 2000

Time Gama em 2000.

Em 2000, 24 equipes jogaram a primeira divisão nacional: o Corinthians foi o campeão, batendo o Atlético-MG na final, enquanto, teoricamente, os rebaixados haviam sido Botafogo-SP, Juventude, Paraná e o gigante Botafogo. Mas a disputa acabou caindo nos tribunais.

Em 1999, o São Paulo, que brigava por uma vaga entre os oito primeiros classificados do Campeonato Brasileiro, contava no seu elenco com o jovem atacante Sandro Hiroshi. Posteriormente, no entanto, foi descoberto que o jogador estava em situação irregular. Assim, Botafogo e Internacional, que brigavam contra o rebaixamento, entraram na justiça para obter os pontos de suas partidas contra o Tricolor.

Naquela edição do Brasileirão, os quatro rebaixados seriam determinados por uma média de pontos nas últimas duas competições. Como Botafogo e Internacional conseguiram na justiça os pontos de seus jogos diante do São Paulo – o Alvinegro havia sido goleado e o Colorado, empatado o duelo -, ambas as equipes ultrapassaram o pequeno Gama, do Distrito Federal, que então cairia para a Série B.

Só que o Gama não aceitou o rebaixamento e entrou na justiça comum contra a CBF, que foi impedida de organizar o Brasileirão de 2000. Assim, a organização do campeonato ficou com o Clube dos 13. Depois de mais brigas judiciais, intervenção da FIFA e políticos influentes mediando a situação, todas as partes chegaram a um acordo: surgia aí a Copa João Havelange.

A copa contou com 116 times, divididos em quatro módulos de clubes das três principais divisão do Brasil. Dessa forma, não houve rebaixados em 1999 e a competição definiria em quais divisões os clubes jogariam a temporada de 2001, segundo um critério de soma das tabelas das temporadas de 1999 e 2000.

Em meio de todo essa briga entre CBF e Gama, a FIFA interveio novamente, entendendo que o Gama, ao entrar na justiça comum contra a CBF violou um dos artigos do estatuto da instituição e resolveram banir o clube de todas as competições oficiais por tempo indeterminado, o que fez o Gama ser expulso automaticamente da Copa João Havelange. A punição só foi retirada quando o Gama desistiu de dar prosseguimento ao processo

*A virada de mesa no futebol acontece quando um regulamento é mudado no meio do competição ou uma regra pré-estabelecida é burlada.

Você acha que foi justo algum desses banimentos? Conta pra gente e não se esqueça de escalar seu time no SPM 365.